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Eles choram, e chamam de avivamento: a culpa como moeda de cooptação infantil

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21.06.2026

Aconteceu em Central City, Kentucky, durante o Just Jesus 2026, um "tent gathering" de quatro dias — 11 a 14 de junho de 2026, montado como uma "Building an Altar of Praise" — que a linguagem evangélica chama de avivamento. Crianças e adolescentes chorando, gritando, ajoelhados sob uma lona, enquanto adultos transformam a fé em espetáculo, a infância em jazida e a vulnerabilidade em propaganda. Chamam isso de "a próxima geração clamando a Deus". Talvez devêssemos chamar pelo nome certo: doutrinação religiosa. Tenho falado de casos similares nessa coluna com alguma recorrência.

O fenômeno não é isolado nem espontâneo, por mais que a retórica do "mover do Espírito" insista em apresentá-lo assim. Desde o despertar de Asbury, em 2023, uma rede de organizações evangélicas — Unite US, IF:Gathering e similares — vem replicando o mesmo roteiro emocional em campi universitários e, cada vez mais, em escolas de ensino médio pelos Estados Unidos, com confissões públicas, batismos coletivos e choro em massa transformados em prova de autenticidade espiritual. O próprio ministério já relata ter levado o esquema a estudantes secundaristas, com cerca de mil deles "entregando seus corações a Jesus" em um evento voltado a adolescentes em Nashville. Não é um acidente de carpa. É um método, com público-alvo deliberadamente rejuvenescido.

Uma coisa é crer — que cada um creia no que quiser, com a liberdade que qualquer Constituição minimamente decente deve garantir. Outra, muito diferente, é submeter crianças e adolescentes a dinâmicas estruturadas de culpa, êxtase coletivo, medo,........

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