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O martírio cubano no centenário de Fidel Castro

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friday

 *Com a colaboração de Pedro Amaral

Ainda saboreávamos o Ano-Novo — era o réveillon de 1958-1959 — quando nos chegou, em Fortaleza, a notícia de que caíra, em Cuba, a ditadura de Fulgêncio Batista, de quem pouca ou nenhuma notícia tínhamos. O fato era este, tão só, mas sugeria algo de inusitado: não se tratava de mais uma quartelada dentre tantas que faziam e fazem a história do poder da classe dominante latino-americana, interferindo na governança para que tudo permanecesse como dantes no castelo de Abrantes: uma periódica recomposição oligárquica.

Desta feita, surpreendentemente, nos era dado conhecer uma insurgência de base popular que, descendo de Sierra Maestra, encontrava a consagração em Havana. Entre os líderes não se contavam nem sargentos, nem coronéis, nem generais. Este era seu caráter inusitado, principalmente no Caribe e na América Central dos anos 1950-60, uma virtual fazenda da United Fruit Company. 

Este verdadeiro “polvo” era muito mais do que uma empresa agrícola; era um superpoder econômico e político tão grande que ajudou a popularizar a expressão “república das bananas”. A seu pedido, por exemplo, Washington determinou, via CIA, em 1954, a deposição de Jacobo Arbenz, presidente da Guatemala, que ousara levar a reforma agrária para suas terras improdutivas.

Naquele final dos anos 1950, Cuba ainda era, para nós, apenas uma ilha distante, o maior e talvez o mais requintado prostíbulo do Caribe, balneário de gângsteres controlado pela máfia e pelo tráfico, país sem economia própria, sem indústria, limitado à monocultura do açúcar e à produção de charutos.

De ilustre, era conhecido apenas o refúgio de Hemingway na Finca Vigía, onde escrevera O velho e o mar 1952). Nesta sua obra-prima, ele nos fala, por intermédio do protagonista Santiago, sobre a resistência humana em tempos difíceis. Difíceis já eram os tempos do povo cubano, sob a ditadura do sargento Fulgêncio Batista; mais difíceis seriam ainda os tempos de hoje, quando sua sobrevivência é ameaçada pelo império norte-americano, onipotente, diante do silêncio do mundo.

O mesmo silêncio e a mesma omissão (é bom recordar para evitar surpresas futuras) que, nos anos antecedentes a 1939, caracterizaram a covardia europeia (Inglaterra à frente) e o silêncio dos EUA diante da anexação da Áustria e, depois dos Sudetos, da invasão da Tchecoslováquia.

Logo ouviríamos falar em Sierra Maestra. Ainda estávamos em 1959 quando surgiram os nomes de seus heróis: Camilo Cienfuegos, Ernesto “Che” Guevara e Fidel Castro Ruz, seu líder. A história escrita a partir daí é conhecida e nos conta a transição política que alcança seu apogeu........

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