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Com os pés no chão, celebremos a resistência iraniana

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10.04.2026

Aos analistas da crise internacional, a boa prudência aconselha parcimônia na projeção de seus desdobramentos, mesmo no curtíssimo prazo. A promessa de paz, ainda que a tempo medido, um pequeno armistício, uma curta suspensão das hostilidades por breves duas semanas para ensejar um mínimo de diálogo, consumou-se em poucas horas como se tudo não passasse de uma trampa. E não poderia ser diferente, pois um dos principais agentes da guerra e do cessar-fogo, o mais belicoso e o mais poderoso — os Estados Unidos da América do Norte — são um negociador de má-fé, e Israel, seu principal associado nesta guerra suja, é comandado por um criminoso de guerra com mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional, o que ameaça fazer da negociação a ser retomada uma não-negociação, um ilusionismo para acalmar o mercado global em crise e dar fôlego ao complexo industrial dos EUA, metido numa guerra muito mais custosa do que calculara a princípio (se é que houve cálculo), e as forças da ocupação israelense, que um alto comandante chegou a anunciar que estavam próximas da exaustão.

O negociador de má-fé a que me refiro não é o bilionário incorporador de Manhattan, parceiro de Jeffrey Epstein em trampolinagens heterodoxas, mas o Estado norte-americano; refiro-me ao seu sistema político-social, os EUA profundos que elegeram o atual inquilino da Casa Branca por notável maioria de votos. 

Nas negociações intermediadas pelo Paquistão, os EUA puseram à mesa uma proposta que não pretendiam levar a cabo — uma trégua mútua de duas semanas — na contrapartida de concessões humilhantes e, portanto, inaceitáveis, e só apresentadas na suposição de que seriam rejeitadas. Mesmo assim, leonina, a proposta era uma farsa, porque, enquanto falava em cessar-fogo, a Casa Branca instruía Israel — seu associado nessa sequência de arrogância militar e crimes de guerra impunes — a invadir o Líbano. As falanges sionistas, lembrando as Blitzkriegs de Hitler, realizaram, na última quarta-feira (08/04), 100 ataques em dez minutos, deixando o rastro de sangue de centenas de civis assassinados, algo como 300 seres humanos, mais de 130 crianças. 

Os bombardeios — o alvo é um país sem qualquer sorte de defesa — visam a destruir sua infraestrutura civil (compreendendo hospitais e escolas, estradas e indústrias) e, mais uma vez, rapinar o........

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