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Você é um homem ou é um ratinho?

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12.03.2026

O apresentador Silvio Santos foi o pioneiro, no que diz respeito a dar visibilidade a travestis e transexuais na televisão brasileira. Nos anos 1980 ele criou o quadro “Concurso de Transformistas”, abrindo espaço para a comunidade LGBT mostrar a sua arte, e provocando um debate sobre identidade de gênero no país. Roberta Close foi uma das artistas que ganharam destaque nacional através do programa, inspirando a música “Close”, composta por Erasmo Carlos, na qual ele a retrata como uma “fêmea pra ninguém botar defeito”, e exalta o “corpo da mulher nota 10” que ela exibe e que “faz a praia inteira levantar, numa apoteose à beira-mar”. Porém, se “não fosse o gogó e os pés”, a sua lente teria “entrado na dela”, o que sugere um certo bloqueio diante daquela identidade de gênero pouco comum à época, apesar da paixão que a musa o havia despertado. Se Roberta Close tivesse uma aparência masculina, certamente o “Tremendão” não teria voltado as suas lentes para aquele “inenarrável monumento”, como ele a descreve na canção.

 Apesar de o tratamento dado pelo “homem do baú” às transformistas no seu programa ter sido meio polêmico – uma vez que elas eram apresentadas como uma espécie de atração nos moldes do antigo “Freak Show” que se popularizou no século XIX, exibindo atrações vistas como curiosidades, ou, até mesmo, como aberrações – podemos dizer que foi algo benéfico do ponto de vista da inclusão social, e da humanização de corpos que até então eram vistos como uma ameaça a ordem natural das coisas. Vale lembrar, que nos anos 1980, sobretudo, em função do advento da Aids, as pessoas falavam abertamente em eliminar homossexuais e travestis, que eram apontados como os responsáveis pela transmissão do vírus. O ódio expresso contra os gays pode ser........

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