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Entre a guerra e a saída: o que realmente está em jogo

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29.04.2026

Por trás da retórica de guerra e das mesas de negociação, o conflito já se move em outra direção, uma disputa menos visível em que o poder se mede pela capacidade de controlar o funcionamento do mundo.

O conflito se reorganiza em silêncio

A guerra chegou a um ponto em que seus próprios termos já não explicam o que está em curso. O que aparece como escalada militar, negociação nuclear e troca de ameaças funciona hoje mais como superfície do que como centro. O eixo real se deslocou. A disputa deixou de ser definida apenas pela capacidade de destruição e passou a se organizar em torno de algo mais profundo: a capacidade de condicionar o funcionamento do sistema que sustenta o mundo.

Esse deslocamento não é retórico, é material. Ele aparece nas rotas marítimas, no preço da energia, no tempo das cadeias logísticas e na capacidade de impor custos sem cruzar imediatamente o limiar de uma guerra total. É nesse terreno que a relação entre Estados Unidos, Irã e Israel se torna inteligível. Não se trata apenas de quem pode vencer no sentido clássico, mas de quem consegue impedir que a força do outro se converta em vitória política.

É a partir desse deslocamento que as negociações em curso passam a fazer sentido. O que se apresenta como impasse entre exigências nucleares e garantias de segurança encobre uma disputa mais concreta. De um lado, os Estados Unidos buscam restabelecer a previsibilidade do sistema, reabrir plenamente as rotas e conter os efeitos econômicos de uma crise que já pressiona energia, inflação e cadeias globais. Para isso, precisam de um acordo que produza estabilidade sem carregar o custo político de um recuo.

Do outro lado, o Irã reorganiza a negociação a partir de uma vantagem específica: sua capacidade de interferir na circulação. Ao deslocar o centro da crise para esse ponto, não apenas resiste, mas redefine a própria ordem da negociação. Em vez de iniciar pelas limitações nucleares, procura condicionar qualquer avanço ao alívio material do cerco, à recomposição de sua........

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