Das veias abertas às urnas fechadas
Eduardo Galeano provavelmente não imaginou que um dia a América Latina faria tanta gente da esquerda repetir uma das frases mais famosas de Homer Simpson: “A culpa é minha e eu a coloco em quem eu quiser”.
Em As Veias Abertas da América Latina, publicado em 1971, o uruguaio Eduardo Galeano retratou um continente explorado por potências estrangeiras, elites locais e uma desigualdade usufrutuária vitalícia. Meio século depois, a desigualdade continua firme na posse. Quem resolveu mudar foi o eleitor.
Da Argentina ao Equador, passando pelo Chile, Peru e outros vizinhos, a direita vem conquistando espaço, vencendo eleições e ocupando territórios políticos que durante décadas pareciam pertencer, por usucapião ideológico, à esquerda.
É como naquela música de Cazuza: “Eu vejo o futuro repetir o passado”. Só que, desta vez, o passado resolveu aparecer vestindo outras cores.
A explicação mais confortável para esse fenômeno é dizer que os eleitores foram enganados, enlouqueceram ou simplesmente........
