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A verdadeira “ruptura” em Davos

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25.01.2026

O velho mundo está morrendo, e o novo mundo luta para nascer: agora é o tempo dos monstros.

Antonio Gramsci

Davos 2026 foi um caleidoscópio demente. A única maneira de atravessar esse lamaçal foi colocar fones de ouvido e apelar para a Band of Gypsys quebrando barreiras do som e afogando uma série de acontecimentos francamente aterrorizantes, incluindo uma conexão Palantir-BlackRock, o Big Tech encontra a Big Finance; o “Plano Diretor” para Gaza e a agudamente desnorteada verborragia do neo-Calígula’s, aqui em uma versão de três minutos.

Então, houve o que a mídia empresarial do fragmentado Ocidente erigiu como uma fala visionária: o mini Opus Magnum do Primeiro-ministro canadense Mark Carney que teve até – o que mais seria? – uma citação de Tucídides (“Os fortes fazem o que podem e os fracos sofrem o que têm que sofrer”), para ilustrar a “ruptura” da ordem internacional baseada em regras que, há pelo menos um ano, já caminhava pelo Corredor da Morte.

E como não rir da preciosa ideia de uma carta assinada por 400 milionários e bilionários “patriotas”, dirigidas ao chefes de estado reunidos em Davos, clamando por mais “justiça social”. Tradução: eles estão aterrorizados – em modo Paranoia Paradise – com a “ruptura”, na verdade o colapso já em fase avançada do ethos neoliberal que, para começo de conversa, foi o que os enriqueceu.

O discurso de Carney foi uma artimanha matreira direcionada a pescar manchetes, para – em tese – enterrar a “ordem mundial baseada em regras”, o eufemismo du jour desde o fim da Segunda Guerra Mundial, visando ao total domínio exercido pela oligarquia financeira anglo-americana. Carney agora reconhece uma mera “ruptura” – supostamente a ser alinhavada pelas “potências médias”, principalmente o Canadá e uns poucos países europeus (sem o Sul Global).

E ele ainda entregou de bandeja: o suposto antídoto à “ruptura” não tem absolutamente nada a ver com soberania. Trata-se, na verdade de uma proteção controlada, uma espécie de arremedo de multipolaridade –........

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