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China: fábricas que produzem demais, imóveis que não vendem

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Os números de inflação divulgados pelo escritório de estatísticas da China neste domingo contam uma história que vai muito além da variação de preços. O índice de preços ao consumidor subiu apenas 0,5% em julho na comparação anual, desacelerando ante 1% em junho e frustrando o consenso de mercado. Na margem, os preços caíram 0,1%. O índice de preços ao produtor, por sua vez, recuou 3,5% em doze meses — o enésimo mês consecutivo de deflação na porta das fábricas. A China convive hoje com o fantasma que assombrou o Japão dos anos 1990: uma economia que cresce, exporta e inova, mas não consegue gerar inflação.

O diagnóstico exige olhar para dois desequilíbrios que se retroalimentam: o excesso de capacidade industrial e a paralisia do mercado imobiliário.

Do lado da oferta, a China construiu ao longo de duas décadas o maior parque manufatureiro da história. O país responde por cerca de um terço da produção industrial mundial e lidera com folga em setores como veículos elétricos, baterias, painéis solares e siderurgia. O problema é que a capacidade instalada cresceu mais rápido que a demanda — doméstica e global. O resultado é uma guerra........

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