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2026: o ano começou ainda em 2025

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03.01.2026

O 1º de janeiro costuma ser o dia das promessas, mas, no Brasil, ele funciona cada vez mais como uma prévia do que já estava em curso. Quando Lula confirmou que pretende disputar a reeleição em 2026, ainda em outubro de 2025, a disputa deixou de ser hipótese e virou uma operação permanente de tentativas de desgaste, pressão, ataques por antecipação.

Claro que me incomoda alguém ser contra Lula, mas me incomoda ainda mais uma certa assimetria, a facilidade com que certos filtros passam a valer como “bom senso universal” quando o assunto é Brasil. No fechamento de 2025, por exemplo, a revista The Economist publicou um editorial dizendo, em essência, que Lula não deveria concorrer de novo. E aqui eu falo da Inglaterra como país e como contexto político, isto é, do lugar institucional e cultural de onde esse texto é escrito e de onde esse tipo de “bom senso” é exportado com facilidade. A Inglaterra também vive instabilidade política prolongada, erosão de confiança e uma sequência recente de trocas de primeiro-ministro que não cabem num parágrafo moral sobre o que o Brasil “deveria” fazer.  

A revista e aqueles que fazem parte dela tem todo o direito de opinar. Eu também tenho o direito de dizer que esse tipo de peça costuma virar munição pronta para um vocabulário que dispensa explicação e, por isso, é bastante útil: o tal “populismo”. Se a palavra “populismo” fosse usada com rigor, eu até aceitaria o debate no plano conceitual. Só que, na prática, ela entra como espécie de carimbo. Ela aparece para reduzir políticas sociais reais do país a uma espécie de truque eleitoral, como se combater fome, recompor renda, ampliar........

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