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Eleições e crise do diesel

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13.04.2026

As últimas pesquisas eleitorais mostram um cenário de confronto e divisão clara do Brasil. Recentemente, o jornalista Miguel do Rosário identificou, com razão, a resiliência de uma base social que se recusa a abandonar o projeto liderado por Lula. Trata-se, de fato, de um fenômeno de memória e resistência. Mas a análise política brasileira segue presa a um vício de origem: o excesso de foco no software — narrativa, desejo, identidade — e o desprezo recorrente pelo hardware — infraestrutura material, logística e segurança de suprimentos.Os dados recentes do Datafolha ajudam a recolocar o debate em termos mais duros. Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados no segundo turno (45% a 46%), enquanto ambos carregam níveis de rejeição próximos de metade do eleitorado (48% e 46%, respectivamente). Isso não descreve apenas uma disputa acirrada. Mostra o sistema político comprimido ao limite, sem margem de erro.

Nesse ambiente, a eleição deixa de ser decidida pela força das bases e passa a depender do comportamento de um eleitorado instável — menos ideológico, mais sensível à experiência concreta da vida cotidiana. O mal-estar em setores da sociedade, sobretudo nos grandes centros urbanos, não é ruído. É sinal. Ignorá-lo, a seis meses da eleição, não é erro de interpretação. É risco estratégico.

O governo opera hoje sob a premissa implícita de que indicadores macroeconômicos positivos — crescimento, queda do desemprego, inflação sob controle relativo — constituem uma forma de........

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