O Datafolha e as desventuras de um incumbente
(Publicado originalmente em O Cafezinho)
Incumbente é uma palavra feia, porém muito útil na análise política. É como nos referimos ao candidato que já ocupa o cargo e pretende permanecer nele.
Em março de 2022, o incumbente era o presidente Jair Bolsonaro, que pretendia a reeleição. Naquele mês, ele apresentava 55% de rejeição eleitoral no Datafolha.
O sociólogo Antônio Lavareda destaca duas faces dessa condição. A vantagem é que a campanha dá ao titular a chance de reduzir a rejeição, mostrando ao eleitorado o que realizou. Bolsonaro, ao longo da campanha de 2022, parece ter reduzido sua rejeição o suficiente para chegar competitivo ao segundo turno. A desvantagem é o chamado teto de vidro. Todas as insatisfações nacionais, todas as angústias e frustrações acumuladas, recaem no colo de quem governa. E como a campanha ainda não começou, o atual presidente ainda não teve a oportunidade de responder a elas.
Em março de 2026, Lula, agora no papel de incumbente, aparece com 46% de rejeição eleitoral no Datafolha. Não é o mesmo número dos 49% de desaprovação do governo, sobre os quais a gente vai falar mais adiante. Aqui estamos falando da parcela do eleitorado que diz que não votaria nele de jeito nenhum, pois esse é o dado que permite a comparação direta com março de 2022, já que o instituto não fazia pesquisa de aprovação binária naquela época.
Como Lula não possui a rejeição........
