Sério demais para ser piada, brega demais para ser solene
O paletó, os óculos escuros e o broche de girassol, marca registrada de Falcão, ainda anunciam o personagem antes que venha a primeira graça. Só que, em Sério, a piada já não precisa ocupar todos os espaços. Em faixas como Beleza e Só Tenho Um, a interpretação avança sobre um terreno que por décadas pertenceu ao trocadilho, ao exagero e à irreverência.
A mudança surgiu das conversas com Rick Bonadio, produtor do álbum, e Raimundo Fagner, coprodutor. Em Brasília, antes de uma apresentação gratuita no Teatro dos Bancários, o cantor resumiu a proposta:
“Eles deram a ideia de a gente fazer uma coisa diferente”.
Não se trata de abandonar o personagem. Sério apenas permite que ele recue quando a canção pede.
Sem obrigação de fazer rir
Falcão construiu uma linguagem em que voz, figurino, expressões populares e absurdo se confundem. O sucesso dessa fórmula criou também uma expectativa: ouvir suas músicas passou a significar esperar pela próxima........
