A agonia da Guarapiranga
Poucos lugares revelam tão bem as contradições da Região Metropolitana de São Paulo quanto a Represa Guarapiranga. Ela abastece milhões de pessoas, ajuda a sustentar o equilíbrio hídrico da metrópole e, em momentos de crise, torna-se uma das principais reservas de água do Estado. Ainda assim, ano após ano, continua sendo tratada como se pudesse resistir indefinidamente ao abandono.
A Guarapiranga não sofre apenas com a falta de chuva. Sua maior ameaça nasce nas margens da própria represa. A falta de tratamento de esgoto tanto das ocupações que se consolidaram ao seu redor como dos bairros que se situam na sua bacia hidrográfica, o desmatamento das áreas que deveriam ser de preservação permanente e o descarte inadequado de resíduos vêm comprometendo a qualidade da água muito antes de ela chegar às estações de tratamento.
O problema é conhecido há décadas. Cerca de um milhão de pessoas vivem na Bacia da Guarapiranga, distribuídas entre a capital e os municípios de Embu-Guaçu, Embu das Artes, Cotia, Itapecerica da Serra, Juquitiba e São Lourenço da Serra. Grande parte dessa população enfrenta dificuldades de acesso ao saneamento básico.
Estima-se que aproximadamente 80 mil imóveis ainda não estejam ligados à rede de coleta de esgoto. E parte significativa do esgoto coletado não chega à estação de tratamento e é despejado no córrego mais próximo. O resultado é previsível: uma carga permanente de........
