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“O Brasil não tem povo, tem público”: Cortella fala sobre desigualdade e democracia

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28.08.2026

Por Maria Luiza Figueredo e Michelle Machado – Pouco antes de subir ao palco do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, Mario Sergio Cortella recebeu a coluna para falar sobre desigualdade, democracia e polarização política. Ao refletir sobre a relação dos brasileiros com a vida pública, o filósofo recorreu a Lima Barreto: “O Brasil não tem povo, tem público. Público assiste, povo participa”, resumiu.

Para o professor, parte da sociedade permanece distante dos processos políticos e sociais. Mudar essa relação exige compreender que escolhas e conquistas individuais não estão separadas das condições coletivas. “É preciso ter uma percepção comunitária mais ampliada”, defendeu.

Essa visão também orientou sua resposta sobre mérito e desigualdade. Questionado sobre até que ponto o sucesso depende apenas do esforço pessoal quando as condições de partida não são as mesmas, o filósofo rejeitou a ideia de uma conquista inteiramente individual. “De nada adianta eu ter sucesso individualmente num local se as condições estruturais em volta estão degradadas, porque aquilo não terá sustentação”, afirmou.

Embora 8,6 milhões de pessoas tenham saído da pobreza entre 2023 e 2024, 23,1% da população brasileira ainda vivia com menos de R$ 694 por mês em 2024. Em 2025, o índice de Gini, que mede a concentração de renda, passou de 0,504 para 0,511, segundo o IBGE.

A desigualdade, na avaliação de Cortella, não se limita à renda nem pode ser enfrentada apenas por iniciativas pessoais. A responsabilidade coletiva deve alcançar diferentes espaços da sociedade, da política institucional ao ambiente empresarial e religioso.

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A discussão sobre participação levou a entrevista ao pensamento de Paulo Freire, com quem Cortella........

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