Petróleo, soberania e emprego: o Rio diante de uma escolha de projeto
Existe uma disputa em curso sobre que tipo de país o Brasil quer ser, e ela passa pelo Rio de Janeiro.
De um lado, o projeto que enxerga a Petrobras como ativo a ser fatiado e a renda do petróleo como item de planilha fiscal.
De outro, o que entende energia, indústria e emprego como instrumentos de desenvolvimento soberano. O Rio é hoje o melhor laboratório para comparar os dois — porque viveu os dois.
A partir de 2014, a queda do petróleo somada à Lava Jato destruiu a indústria naval e de óleo e gás do estado. Só a construção naval encolheu de 84 mil para cerca de 25 mil empregos diretos no país. UFRJ e UERJ estimam perdas de R$ 142 bilhões. O Comperj virou canteiro abandonado, fornecedores fecharam às centenas e o estado quebrou, recorrendo à recuperação fiscal. Isso não foi obra do acaso nem de uma “crise mundial”: foi o que aconteceu quando se tratou a maior empresa brasileira e sua cadeia produtiva como alvo, e não como motor.
A partir de 2023, e especialmente em 2024, o antigo Comperj renasceu como Complexo de Energias Boaventura. Passou a processar o gás do pré-sal que chega pela Rota 3 e, neste........
