“Há uma tendência global à dissolução da democracia”, alerta cardeal peruano
Castilho celebrou na catedral de Lima, na ultima terça-feira, 28 de julho, uma missa pelos 205 anos da independência do Peru, pronunciando uma homilia de forte conteúdo político. Embora sem citar nomes explicitamente, seu discurso deixou transparecer críticas severas tanto à agressiva política externa de Donald Trump quanto à guinada autoritária observada em diversos países da América Latina.
No Peru as eleições presidenciais foram recentemente vencidas por Keiko Fujimori, candidata da direita populista e autoritária, filha do ex-presidente e ditador Alberto Fujimori. Ao assumir o cargo, ela acusou seus antecessores de lhe terem entregue o Estado “em condições catastróficas”.
Diante de uma plateia lotada de fieis católicos, Castillo ironizou a fala da nova presidente, dizendo: “Hoje, como foi corretamente dito nos últimos dias, nos encontramos numa situação catastrófica; não tanto pelos indicadores econômicos, mas porque a dignidade humana está gravemente ameaçada”. Segundo o arcebispo, trata-se de “uma tragédia humana e social”, na qual diversos grupos de interesse procuram colocar a ambição pelo enriquecimento ilícito e pelo poder absoluto acima de tudo, a ponto de as ditaduras já estarem instaladas ou se difundirem de maneira insidiosa.
Castillo prosseguiu afirmando: “Essas trevas catastróficas foram geradas de diversas maneiras: desde os alicerces da sociedade até as mais altas esferas do poder, infiltrando-se nas instituições e até mesmo na Igreja”.
Segundo ele, essas forças também atuam a partir dos chamados países “desenvolvidos”, que, por meio de um sistema de controle total........
