Edgar
i pai, hoje é um sábado de saudade. É seu dia. Se estivéssemos todos juntos ia ter carne assada com molho ferrugem, manjar de coco e depois, o discurso. O seu, claro.
Aos 98 anos, como senhor nos veria? Seus três garotos agora com 64, 68 e 70. Nas suas palavras: “3 coroas”! Minhas filhas, suas netinhas tão amadas, “2 brotos” de 30 e 32.
Bem pai, tenho novidades para contar, mas antes preciso te apresentar a quem nos lê.
Meu pai, o Edgar Pinto, nasceu em 1928, em Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Viveu os tempos do bonde, do Noel, do Getúlio; do teatro de Revista, dos Cassinos, da Carmen Miranda.
Edgar viu guerras, golpes e contra-golpes.
Edgar ouviu os primeiros acordes da Bossa Nova e o carnaval na Praça Onze.
Edgar chorou a Copa perdida no Maracanã, em 1950.
Edgar assistiu ao último capítulo de “O Direito de Nascer”.
Quanto mais via, mais queria ver, o Edgar.
Na infância e adolescência era travesso, mas também estudioso, tanto que virou professor. Só não teve foi tempo de ensinar.
O pai do Edgar, o meu avô Constantino, morreu cedo. Muito jovem, Edgar enxugou as lágrimas e começou........
