O que se entende mesmo por crise?
Atualmente parece estar tudo em crise: a ordem do capital, a economia, a política, as ciências, as éticas, os valores, as religiões e, entre nós, no Brasil até o futebol. Numa palavra, temos a ver com uma crise de civilização, vale dizer, da nossa forma de estar no mundo, como organizamos a sociedade e estabelecemos os valores e leis que nos regem. Não há campo livre, especialmente concernente ao futuro.
Ela pode representar uma tragédia cujo desfecho pode ser destrutivo, como no teatro grego ou um drama cujo termo pode ser bem-aventurado como na liturgia cristã que celebra a páscoa da ressurreição depois da sexta-feira santa da paixão.
A humanidade está posta diante desta decisão: ou continuar como está e poderemos ir ao encontro de uma tragédia civilizatória ou abrir um novo caminho, marcado, certamente, por um drama, mas que promete um futuro melhor.
A Carta da Terra, um dos principais documentos da ONU pensando o futuro do planeta Terra afirma: “As bases da segurança global estão ameaçadas; essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis. A escolha é nossa: ou formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a destruição da diversidade da vida” (preâmbulo). Eis com que crise radical somos confrontados.
Expliquemos primeiramente o que entendemos por crise. A maioria recorre ao ideograma chinês de crise: como risco e como oportunidade, o que julgo iluminador. Mas prefiro a rica significação de crise em sânscrito, por ser a matriz de nossa língua e por possuir ressonâncias em outras palavras derivadas daí.
Em sânscrito, crise vem de kir ou kri que significa purificar e limpar. De kri vem crisol, o cadinho para depurar o ouro das gangas.........
