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O mundo é bem maior e mais vasto do que o umbigo de Trump

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19.07.2026

Durante décadas, parte da elite brasileira acostumou-se a olhar o mundo por uma única janela: Washington. Quase tudo era medido pela régua dos Estados Unidos. Se a economia americana espirrava, imaginava-se que o Brasil inevitavelmente pegaria uma pneumonia. Essa visão nunca correspondeu inteiramente à realidade, mas hoje ela se tornou definitivamente anacrônica. O mundo mudou. E Donald Trump parece incapaz de compreender essa mudança.

A diplomacia Sul-Sul, na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Celso Amorim investem desde o primeiro mandato, está produzindo resultados que talvez nem seus maiores defensores imaginassem. O crescimento das exportações brasileiras para China e Índia, mas também para mercados maduros, como a Europa, que já supera em mais de seis vezes as perdas provocadas pelas tarifas americanas, é apenas um dos indicadores de uma transformação muito mais profunda. O Brasil deixou de depender de um único mercado e passou a dialogar com um planeta muito mais amplo.

Esse movimento não nasceu por acaso. Ele é fruto de uma estratégia consistente de política externa. Lula compreendeu, ainda nos anos 2000, que o século XXI seria marcado pela ascensão dos países em desenvolvimento. Foi por isso que fortaleceu o Mercosul, aproximou-se da África, ajudou a consolidar os BRICS e fez da cooperação entre os países do Sul Global um dos pilares da diplomacia brasileira.

Na época, muitos ironizaram essa opção. Hoje, os números respondem melhor do que qualquer discurso.

A China tornou-se o principal parceiro comercial do Brasil e, mais importante, um mercado praticamente insubstituível para produtos brasileiros. A expansão das vendas para aquele país compensou sucessivas crises internacionais e abriu espaço para novos investimentos. O mesmo fenômeno começa a ocorrer com a Índia, cuja economia figura entre as que mais crescem no planeta. Em poucos anos, o........

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