A hidra nas paredes vazias de Bogotá
Quem visitou o Museu Nacional da Colômbia, em Bogotá, na semana passada encontrou paredes vazias onde antes havia 30 peças ligadas à diversidade sexual, ao feminismo e aos processos de paz do país, entre elas o chapéu de Carlos Pizarro, ex-comandante do M-19 que assinou o acordo de paz de 1990 e foi assassinado semanas depois. A ordem de retirada partiu do presidente de ultradireita Abelardo de la Espriella, empossado em agosto, que ao lado da ministra da Cultura, Paula Holguín, chamou o wokismo de um dos grandes cânceres que ameaçam a unidade nacional e disse que o Estado tem o dever moral e político de impedir que os espaços culturais sejam capturados pelo “social-comunismo ateu”. A ministra falou em doutrinação política, mas não explicou os critérios da seleção. Houve protestos, o de sábado terminou em gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral, instituições culturais pediram independência artística, políticos fora da esquerda criticaram a medida e, nesta semana, um juiz de Bogotá determinou que o governo preserve as obras enquanto a ação tramita.
Para a pesquisadora do Sexuality Policy Watch, Sônia Correa, o episódio não é um raio em céu aberto,........
