Defender o direito ao Carnaval crítico é defender a democracia cultural
Em ano eleitoral, a Acadêmicos de Niterói encostou o Sambódromo Marquês de Sapucaí na ferida brasileira de permitir — ou não — que a cultura popular fale de classe, poder e religião sem pedir licença. Por isso, o rebaixamento da escola não pode ser lido apenas como uma derrota técnica.
A primeira coisa a dizer é o óbvio que muitos tentaram esconder com barulho, que a escola caiu porque o regulamento manda. A 12ª colocada desce para a Série Ouro. E foi essa a posição da Acadêmicos, com 264,6 pontos, após perdas principalmente em Harmonia, Fantasias e Alegorias. Carnaval tem regra, pontuação, critério. Quem acompanha sabe que o julgamento é duro e que qualquer erro pode custar caro.
Mas o óbvio não esgota o real. Quem conhece o desfile sabe que a avenida é mais do que uma passarela. É um parlamento popular a céu aberto — feito de plumas, suor, costura, batida e disputa de narrativa. O próprio Manual do Julgador admite que avaliar expressão artística envolve subjetividade – subjetividade, entendeu?! - Por isso insiste que jurados não podem considerar popularidade, reação do público ou opinião de comentaristas. Essa lista do que não deve ser levado em conta existe porque, na prática, existe pressão.
E pressão foi o que não faltou.
Antes mesmo do desfile, tentaram sequestrar o enredo com a linguagem do Direito Eleitoral. Partidos recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral para barrar a apresentação, alegando propaganda........
