Trump lança manifesto pela tirania global
Por José Reinaldo Carvalho - O discurso sobre o Estado da União do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última quarta-feira (24), foi a reafirmação de um projeto geopolítico que recoloca no centro da estratégia norte-americana a ideia de supremacia política, econômica e militar incontestável.
A retórica de que os Estados Unidos estão “vencendo novamente” expressa uma concepção hegemônica das relações internacionais, segundo a qual a liderança americana deve ser exercida sem amarras institucionais e sem os freios impostos por organismos multilaterais. Trata-se de uma visão que rebaixa o sistema internacional a uma arena de poder bruto, no qual a força substitui a negociação e a imposição substitui o consenso.
Hegemonismo como doutrina
Ao celebrar o ataque militar na Venezuela, seguido do sequestro do presidente legítimo e constitucional Nicolás Maduro e sua esposa, a deputada Cília Flores, reivindicar os bombardeios contra instalações iranianas, reafirmar políticas de bloqueio total contra Cuba e anunciar que será dos Estados Unidos a hegemonia absoluta sobre o hemisfério ocieental, Trump normaliza uma prática que afronta os princípios básicos da autodeterminação e soberania nacionais, da não ingerência, não intervenção e da solução por meios políticos, diplomáticos e do diálogo, dos conflitos internacionais. Esses princípios constituem a espinha dorsal da Carta das Nações Unidas e da governança global para evitar a escalada entre potências.
O hegemonismo defendido no discurso de Trump é uma voz de comando unilateral. A mensagem é que decisões estratégicas continuarão à revelia da comunidade internacional, com base exclusiva nos interesses de Washington. Ao agir dessa forma, os Estados Unidos optam por um modus operandi político arbitrário, visando à concentração e projeção de poder e à imposição dos interesses dos Estados Unidos em detrimento dos demais países.
Quando uma superpotência reivindica para si o direito de desencadear guerras “preventivas”, ações punitivas e intervencionistas, promoção de mudanças de governo sob justificativas próprias, que são na verdade........
