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Foi um erro subestimar a libertação de Maduro, mas a crítica a Lula não pode ser um “palpite infeliz”

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08.02.2026

Por José Reinaldo Carvalho (*) - A declaração do presidente Lula, ignorando a importância da luta pela libertação de Nicolás Maduro foi profundamente infeliz. Ele errou no mérito, na forma, na oportunidade e na circunstância. Ao subestimar a necessidade imperiosa da luta pela libertação do presidente legítimo e constitucional venezuelano e da deputada Cilia Flores, sua esposa, designada como “primeira combatente”, Lula acabou transmitindo uma impressão politicamente perigosa diante de um episódio que não pode ser relativizado: ambos foram sequestrados durante um ataque militar a um país soberano irmão.

O episódio de 3 de janeiro último foi um crime contra a soberania de um Estado nacional, cometido por uma potência estrangeira, uma agressão aberta à inviolabilidade do mandato presidencial e ao princípio da autodeterminação dos povos, portanto mais um ataque do imperialismo estadunidense ao Direito Internacional. Não se pode, em hipótese alguma, em nome de cultivar relações normais com os Estados Unidos, naturalizar um atentado dessa magnitude. 

Uma declaração infeliz no pior momento

O Brasil possui uma tradição diplomática construída historicamente sobre pilares sólidos: não intervenção, defesa da paz, solução negociada de conflitos e respeito à soberania dos países. Esses princípios constituem a base de uma política externa que busca proteger o país. No exercício dessa política por um governo comandado por forças progressistas, a solidariedade também é uma cláusula pétrea.

Por isso, causou dura reação em amplos setores da base progressista de apoio a Lula a sua declaração subestimando a causa da libertação de Maduro. Um chefe de Estado da estatura do presidente brasileiro não pode nem deve deixar sequer um vestígio de impressão de que caminha lado a lado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cuja conduta internacional tem sido marcada pela lógica da força, da chantagem econômica e da intimidação militar.

O problema não está em manter relações........

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