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A resistência russa e as lições da guerra na Ucrânia

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26.07.2026

Ao completar quase 4,5 anos da Operação Militar Especial da Rússia na Ucrânia, torna-se ainda mais evidente que a caracterização deste país como uma potência imperialista carece de qualquer fundamento na teoria econômica clássica ou na realidade dos fatos. O imperialismo pressupõe a exportação de capitais, a dominação de mercados por monopólios transnacionais e a subordinação de nações periféricas a uma estrutura de exploração financeira. A Rússia, embora possua o maior território do mundo (com aproximadamente 17,1 milhões de km², tem quase 2x o tamanho do Canadá — segundo maior país), apresenta uma inserção externa típica de uma economia dependente de recursos naturais, exportando majoritariamente commodities agrícolas e minerais.

A tese do imperialismo russo desmorona, inclusive, quando confrontada com a lista Fortune Global 500 de 2025. Enquanto os Estados Unidos abrigam 138 das maiores empresas do mundo e a China detém 124, a Rússia possui apenas 6 empresas no ranking, como a Gazprom e a Lukoil. Comparativamente, o Brasil, uma economia historicamente fustigada pelo subdesenvolvimento, possui 7 empresas na mesma lista. O imperialismo é uma etapa superior do capitalismo que exige uma rede global de corporações que drenam riqueza de outros povos; a Rússia, com sua pauta exportadora primária, é um alvo do imperialismo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), e não o seu agente. A guerra na Ucrânia é, portanto, a resposta de um Estado nacional que se recusa a ser desmembrado e reduzido a uma colônia fornecedora de energia para o Ocidente.

A estrutura econômica russa fundamenta-se na exportação de petróleo, gás e minérios, o que a coloca em uma posição de vulnerabilidade diante das flutuações de preços internacionais e das sanções impostas pelo bloco liderado pelos Estados Unidos. Sanções estas que são as mais numerosas da história: de acordo com referências amplamente citadas por veículos de imprensa, o total geral de sanções contra a Rússia, considerando todos os países e blocos imperialistas (EUA, UE, Reino Unido, Canadá, Japão etc.), ultrapassa 23.960 designações.

Ademais, logo após o início da guerra com a Ucrânia (na verdade, com a OTAN), em fevereiro de 2022, os países do G7, a União Europeia, a Austrália e a Suíça “congelaram” aproximadamente US$ 300 bilhões em reservas do Banco Central da Rússia mantidas em suas jurisdições. Esse valor representava cerca de metade das reservas totais da Rússia na época (que eram de cerca de US$ 640 bilhões). Essas reservas estavam distribuídas entre diversos países e instituições, sendo que o maior volume está na Euroclear (Bélgica), a câmara de liquidação central europeia, que sozinha detém cerca de € 200 bilhões em........

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