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O cruzado, o imperador e seu ataque aos persas

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29.03.2026

ARTIGO PUBLICADO NO 16º BOLETIM DO OBSERVATÓRIO INTERNACIONAL DO SÉCULO XXI – MARÇO DE 2026

Liberamos as mãos de nossos combatentes para intimidar, desmoralizar, caçar e matar os inimigos de nosso país.

Pete Hegseth, Secretário de Defesa dos EUA, in O Globo, 15-3-2026, p. 20

 A “ordem mundial baseada em regras” entrou em colapso depois do ataque militar dos EUA e de Israel contra o Irã, no dia 28 de fevereiro de 2026. Um ataque sem justificativa que foi realizado no meio de uma negociação diplomática que estava em pleno curso, entre os EUA e o Irã. Da parte de Israel, trata-se de um velho projeto acalentado há muitos anos por seu primeiro-ministro Benjamin Netanyahu: o de conseguir o apoio do governo norte-americano para realizar um ataque massivo contra as instalações nucleares, e contra o sistema de defesa balístico do Estado iraniano, visando, em última instância, derrotar e submeter o povo persa aos desígnios do povo judeu. Da parte dos EUA, entretanto, as coisas estão menos claras, e tudo indica que o presidente norte-americano acabou se submetendo aos argumentos do primeiro-ministro israelense. Haja vista que, desde o primeiro momento do ataque, o presidente Donald Trump mudou várias vezes de opinião, demonstrando insegurança com relação aos objetivos da estratégia de guerra. E tudo indica que, de fato, o presidente norte-americano se deixou seduzir pelo plano israelense de uma guerra curta e de uma vitória rápida e fácil, obtida através da decapitação das principais lideranças civis e militares do Irã. 

Mesmo assim, não há dúvida de que essa declaração de guerra se enquadra perfeitamente no projeto do presidente americano, de reafirmação do poder militar dos EUA e de reconstrução de sua supremacia unipolar dentro do sistema mundial. Como já havia ocorrido com sua “guerra tarifária” contra o mundo e com seus ataques ou ameaças contra Venezuela, Colômbia, Cuba e Groenlândia, contra seus próprios aliados europeus e, ainda, contra a China. A verdade é que, através dessas ameaças e de suas ações concretas, e mais ainda, através........

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