Educação ou cárceres
Em 1982, o antropólogo e educador Darcy Ribeiro formulou uma das mais contundentes advertências da vida pública brasileira: “Se os governantes não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”. Mais do que um vaticínio, um diagnóstico sobre o destino de sociedades que negligenciam a educação, que não a coloca nas agendas governamentais como estratégia para o desenvolvimento.
Décadas depois, por mais que tenha feito, o Brasil ainda não superou o dilema alertado por Darcy Ribeiro. Conseguimos garantir o direito à educação na Constituição de 1988, aprovar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que organizou o sistema educacional brasileiro, definiu a repartição de atribuições da União, dos Estados e dos municípios, e instituiu a lei decenal que estabelece o Plano Nacional de Educação (PNE), com metas para garantir o acesso e a qualidade.
Além disso, tivemos governos que colocaram a educação no topo das prioridades: os governos Lula e Dilma, além de experiências estaduais e municipais. Ainda assim, insuficientes para superar a profunda desigualdade econômica, social, política e cultural. Permanecemos entre os países mais desiguais e violentos do mundo, herdeiros de uma sociedade colonial excludente.
Em todos os governos do PT, a educação foi colocada no centro da agenda pública. Isso se expressa não apenas no aumento global dos investimentos, que voltaram a crescer com força a partir de 2023, ultrapassando R$ 180 bilhões anuais no orçamento federal da educação, mas também na retomada e........
