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"A liberdade é feminina e é ela quem conduz o povo"

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08.03.2026

A frase do mestre do romantismo francês, Eugène Delacroix, ao concluir sua obra-prima Liberdade Guiando o Povo, ecoa há quase dois séculos com uma força que o tempo não dissipou: “A liberdade é feminina e é ela quem conduz o povo”.

Na tela que eternizou a Revolução de Julho de 1830, na França, uma figura feminina ergue-se sobre as barricadas, empunhando a bandeira e apontando o horizonte entre os escombros do absolutismo, com gesto firme e olhar para o futuro. O gorro vermelho que cobre seus cabelos representa os valores democráticos: liberdade, igualdade e fraternidade. A metáfora de Delacroix não era apenas estética. Era, sobretudo, um axioma político que permanece como um dos grandes desafios do século XXI: não existe democracia plena nem progresso real onde a igualdade de gênero é negada.

Essa convicção custou a vida de pioneiras como Olympe de Gouges, guilhotinada por ousar escrever a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, e mobilizou o pensamento de Mary Wollstonecraft, que defendeu a emancipação feminina pela educação. Hoje, no Brasil, essa mesma luta confronta uma realidade estatística brutal. Vivemos em um país de contrastes violentos. Entre 2015 e 2024, ao menos 11.859 mulheres foram assassinadas simplesmente por serem mulheres. Somente em 2023, o país registrou cerca de 1.460 feminicídios e um estupro a cada seis minutos.

Esses........

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