Quem está usando Karina Gama?
A denúncia feita pela produtora Karina Ferreira da Gama de que estaria sofrendo pressões para fazer uma delação premiada contra Flávio Bolsonaro acrescentou mais um capítulo político a uma investigação que já envolve cifras milionárias, o filme Dark Horse e suspeitas sobre a origem e o destino dos recursos utilizados no projeto.
Karina registrou em cartório uma declaração na qual relata abordagens de três pessoas: o empresário Fernando Sarney, um pastor evangélico e um jornalista. Segundo sua versão, os contatos teriam como pano de fundo a possibilidade de que ela fizesse uma delação premiada. O documento, porém, é uma declaração da própria produtora: registra formalmente sua narrativa, mas não constitui, por si só, prova de que tenha ocorrido coação.
Conheço uma parte dessa história por ter conversado diretamente com um dos personagens mencionados por Karina: o pastor citado por ela.
Meu contato com ele começou depois de um encontro casual em um evento em Brasília, quando lhe passei meu telefone. Alguns dias depois, ele me ligou. O assunto da conversa era justamente Karina.
O pastor disse estar preocupado com ela. Contou que a conhecera em reuniões religiosas, num período em que a produtora enfrentava dificuldades pessoais. Fez orações com ela e, a partir daí, estabeleceu-se uma relação de amizade.
Desde nossa primeira conversa, o relato que ouvi foi diferente da ideia de alguém empenhado em conduzi-la a uma delação. O pastor dizia considerar interessante que Karina desse uma entrevista. E argumentava justamente que uma delação não lhe parecia o melhor caminho, porque não tinha segurança de que os agentes públicos envolvidos no caso atuariam com a necessária independência.
Na visão dele, seria melhor que Karina apresentasse publicamente sua versão dos fatos a um jornalista que considerasse sério. Disse que me incluía nesse grupo.
Respondi que faria a entrevista. Independentemente de qualquer avaliação sobre Karina ou sobre os........
