Bombas de fragmentação, ataque a escola, hospital e a bairro civil: Quem é o terrorista na guerra do Irã?
Voltei do Irã há poucos dias. Ainda tentava organizar as anotações da viagem quando chegou a notícia de mais um bombardeio norte-americano. Entre os alvos estava a ponte que liga Bandar Abbas a Shiraz, no sul do país. Passei por ela quando seguia para Lamerd, cidade que se tornaria um dos cenários mais marcantes da minha cobertura.
É impossível receber uma notícia dessas sem lembrar das pessoas que conheci ao longo de 14 dias percorrendo o Irã como correspondente de guerra.
No Ocidente, costuma-se falar do Irã por meio de centrífugas, mísseis, aiatolás e disputas geopolíticas – agora sei que são falas carregadas de preconceito e profundamente distorcidas. Pouco se diz ou se escreve sobre as pessoas. As mães. As crianças. Os estudantes. Os trabalhadores. As famílias.
Foi em Lamerd que compreendi o verdadeiro significado da expressão “dano colateral”. Mísseis lançados pelos EUA logo no primeiro dia da guerra, há quatro meses, explodiram a 40 metros do chão, como mostram os vídeos. E deixaram evidências de que eram de fragmentação, como denunciam os milhares de buracos nas paredes das casas e no chão.
Os relatos, reforçados por vídeos chocantes, dão conta de que esse arsenal deixou um rastro de sangue e dor. A bomba de fragmentação é proibida pela Convenção sobre Munições Cluster de 2008. Não poderiam ser usadas nem contra soldados, mas atingiram uma cidade que tem 35 mil habitantes, uma economia voltada para a indústria da pesca e petroquímica e que não abriga instalações militares conhecidas.
As autoridades exibiram vídeos e eu vi com meus próprios olhos, e registrei com meu celular, marcas espalhadas pelas paredes dos bairros. Não é preciso ser perito para concluir que são marcas de arma não-convencional.
As paredes podem ser reconstruídas.
As cicatrizes humanas........
