Quousque tandem, abutere, Bolsonaro, patientia nostra?
A pergunta lançada por Cícero contra Catilina atravessou os séculos porque não se dirige apenas a um conspirador. Dirige-se, sobretudo, à tolerância das instituições diante daquele que insiste em testar seus limites: “Até quando, Catilina, abusarás de nossa paciência?”. No Brasil de 2026, a interrogação ressurge inevitavelmente diante da recalcitrância interminável de Jair Bolsonaro.
Na convenção partidária que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência da República, apareceu um Jair Bolsonaro artificial, produzido por inteligência artificial, com sua imagem, sua voz e seu discurso em primeira pessoa. O condenado, impedido de atuar politicamente e proibido de utilizar redes sociais direta ou indiretamente, reapareceu digitalmente para saudar militantes, apresentar-se como vítima e impulsionar a candidatura do filho.
A tecnologia mudou; o método permanece.
A Justiça deverá apurar quem produziu o vídeo, quem o autorizou e qual foi o grau de conhecimento do ex-presidente. Isso é indispensável. Mas não se pode fingir que o episódio surgiu no vazio. Ele ocorre poucos dias depois de Bolsonaro escrever uma carta dirigida “aos brasileiros”, entregue a Flávio, que a........
