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Quousque tandem, abutere, Bolsonaro, patientia nostra?

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26.07.2026

A pergunta lançada por Cícero contra Catilina atravessou os séculos porque não se dirige apenas a um conspirador. Dirige-se, sobretudo, à tolerância das instituições diante daquele que insiste em testar seus limites: “Até quando, Catilina, abusarás de nossa paciência?”. No Brasil de 2026, a interrogação ressurge inevitavelmente diante da recalcitrância interminável de Jair Bolsonaro.

Na convenção partidária que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência da República, apareceu um Jair Bolsonaro artificial, produzido por inteligência artificial, com sua imagem, sua voz e seu discurso em primeira pessoa. O condenado, impedido de atuar politicamente e proibido de utilizar redes sociais direta ou indiretamente, reapareceu digitalmente para saudar militantes, apresentar-se como vítima e impulsionar a candidatura do filho.

A tecnologia mudou; o método permanece.

A Justiça deverá apurar quem produziu o vídeo, quem o autorizou e qual foi o grau de conhecimento do ex-presidente. Isso é indispensável. Mas não se pode fingir que o episódio surgiu no vazio. Ele ocorre poucos dias depois de Bolsonaro escrever uma carta dirigida “aos brasileiros”, entregue a Flávio, que a........

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