Geni, o Barão e o Tarifaço: a ópera bufa da direita subalterna
Há momentos em que a política deixa de ser disputa de projetos e se transforma em teatro de marionetes. No teatro no sentido nobre da tragédia grega, onde os personagens enfrentam o destino, a culpa e a grandeza moral de suas escolhas. Mas teatro menor, de feira, de farsantes, de homens públicos que confundem soberania nacional com senha de entrada no salão dos poderosos. É nesse palco estreito, iluminado por holofotes estrangeiros, que se arma a cena envolvendo Flávio Bolsonaro, Marco Rubio e Donald Trump.
O enredo, se não fosse grave, seria apenas ridículo. Os Estados Unidos anunciam ou ameaçam um tarifaço contra produtos brasileiros. O Brasil, país soberano, com governo eleito e interesses próprios, é tratado como província rebelde. A medida surge envolta em justificativas comerciais, jurídicas e diplomáticas, mas carrega o cheiro conhecido de chantagem política. Não se trata apenas de tarifa. Trata-se de disciplina imperial.
Então entra em cena Flávio Bolsonaro, não como representante altivo de um país ferido, mas como personagem ansioso por demonstrar utilidade ao senhor estrangeiro. Sua fala segue roteiro previsível: o Brasil estaria à beira do desastre porque Lula teria destruído a economia; as tarifas seriam ruins, é claro, mas a culpa não seria de quem as impõe, e sim do governo brasileiro; a solução não estaria na defesa institucional do país, mas na eleição de um aliado de Trump. Em outras palavras: primeiro se aceita a violência externa, depois se oferece a própria candidatura como remédio para a ferida aberta pelo agressor.
É a política como sequestro encenado. O sequestrador aponta a arma; o aliado local pede calma, diz conhecer o sequestrador, promete negociar, mas exige como condição que lhe entreguem as chaves da casa. A vítima, nesse caso, é o Brasil.
A dramaturgia é quase infantil. Trump baixa o tarifaço. Flávio corre ao palco e declara que o Brasil sofrerá muito, que os empregos estarão em risco, que as empresas perderão mercado, que tudo isso decorre da suposta ruína lulista. Em seguida, apresenta-se como ponte providencial entre Brasília e Washington. Eleito, promete uma parceria “ao gosto de Trump”: menos soberania, mais submissão; menos integração latino-americana, mais alinhamento automático; menos política externa altiva, mais continência servil diante da........
