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Trump entrou na eleição brasileira. Até onde ele irá?

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22.08.2026

Faltam seis semanas para o primeiro turno da eleição presidencial e o Brasil continua discutindo pesquisas, alianças, palanques, gafes, fofocas e estratégias de campanha como se estivesse diante de mais uma eleição normal. 

Lula disputa a reeleição. Flávio Bolsonaro tenta levar novamente o bolsonarismo ao Palácio do Planalto. Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, 21 de agosto, mostrou Lula com 39% e Flávio com 33% no primeiro turno. Numa simulação de segundo turno, 47% a 43%, diferença no limite da margem de erro. A disputa é real e está aberta. 

Mas talvez os números não sejam, neste momento, a informação mais importante da eleição. Pela primeira vez desde a redemocratização, uma eleição presidencial brasileira transcorre com a maior potência militar do planeta transformada em variável explícita do processo político. Os Estados Unidos de Donald Trump já não são apenas espectadores interessados no resultado. Entraram no jogo. 

Uma cena provoca espanto 

Talvez nenhuma imagem simbolize melhor a excepcionalidade desta eleição do que o lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro, em Copacabana, no domingo, 16 de agosto. Em meio ao verde e amarelo dos bolsonaristas apareceram bandeiras dos Estados Unidos e símbolos associados ao movimento MAGA de Donald Trump. 

Flávio transformou o pai no grande personagem ausente do comício. Reproduziu um áudio de Jair Bolsonaro e apresentou sua candidatura como continuidade do projeto político do ex-presidente. Uma bandeira americana numa manifestação brasileira não prova interferência estrangeira. Mas a imagem ganha outro significado quando colocada ao lado do que aconteceu nos últimos meses. 

Flávio Bolsonaro foi recebido por Donald Trump na Casa Branca como candidato à Presidência. A família Bolsonaro construiu relações políticas com o trumpismo. Marco Rubio, secretário de Estado e um dos principais formuladores da política americana para a América Latina, passou a intervir publicamente nas controvérsias brasileiras. E o governo Trump adotou tarifas contra produtos brasileiros que entraram imediatamente no debate eleitoral. 

A Reuters resumiu a mudança com precisão ao noticiar, em julho, que as tarifas impostas pela administração Trump haviam colocado Washington dentro da eleição presidencial brasileira. A pressão externa sobre o ambiente eleitoral deixou de ser uma abstração. 

Foi essa contradição que o Foro de Teresina, da revista piauí, colocou no centro de seu programa divulgado nesta sexta-feira, 21. 

Ao discutir o lançamento da campanha de Flávio, Celso Rocha de Barros chamou atenção para algo que deveria inquietar o país: enquanto aparecem sinais de pressão americana sobre a eleição, grande parte da cobertura política continua concentrada nas pesquisas,........

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