O veto ao STF e o Brasil na rota da ultradireita global
A derrota inédita de Lula no Senado não foi apenas um revés político. Revelou o poder invisível que governa o país, acendeu o alerta no Supremo e colocou o Brasil no mesmo roteiro institucional que, em outras democracias, abriu caminho para o avanço da ultradireita
O título deste artigo não é uma metáfora. É um diagnóstico. O que o Brasil assistiu em 29 de abril de 2026 — a rejeição inédita de uma indicação presidencial ao Supremo Tribunal Federal — não é apenas um fato político. É a manifestação concreta de um processo já descrito pela ciência política contemporânea.
No livro Como as democracias morrem, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt alertam: democracias não colapsam mais por golpes abruptos. Elas se transformam lentamente, por meio do enfraquecimento contínuo de instituições críticas — como o Judiciário — e pela erosão gradual de normas políticas.
A palavra-chave é "lento". Porque é nesse ritmo — quase imperceptível — que o poder se desloca.
O dia em que o poder mudou de endereço
Pela primeira vez em mais de 130 anos, o Senado rejeitou a indicação de um presidente da República ao Supremo. A derrota de Luiz Inácio Lula da Silva não foi apenas política. Foi estrutural. Porque rompeu uma norma histórica. E toda norma rompida redefine o campo do possível.
Até ontem, vetar um indicado ao STF era impensável. Hoje, aconteceu. Amanhã, outras hipóteses deixam de parecer impossíveis. É assim que a erosão institucional começa: primeiro o gesto excepcional, depois o precedente, por fim a normalização.
Quem realmente decide
Para entender o que ocorreu, é preciso olhar para onde o poder efetivamente se move. A reportagem Alcolumbre, o onipresente, da Revista Piauí, oferece essa chave. Nela, Davi Alcolumbre aparece como um operador estrutural. Não como líder de massas. Mas como gestor da engrenagem.
Ele controla a........
