menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O dia em que Michelle deixou de ser coadjuvante

19 0
25.06.2026

A ex-primeira-dama rompeu a aparência de unidade do bolsonarismo, expôs a disputa pela sucessão de Jair Bolsonaro e revelou que a principal batalha da extrema-direita já não acontece contra Lula, mas dentro da própria família Bolsonaro.

O vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro, acusando publicamente o senador Flávio Bolsonaro de tê-la humilhado, desrespeitado e "apunhalado pelas costas", rapidamente deixou de ser um conflito familiar. Transformou-se numa crise política de grandes proporções.

Em poucas horas, o episódio dominou jornais, emissoras de televisão, portais de notícias e redes sociais. O que parecia uma divergência entre madrasta e enteado revelou algo muito maior: a disputa pela herança política de Jair Bolsonaro deixou os bastidores e passou a ser disputada diante do país.

Mais do que um desentendimento familiar, o vídeo expôs uma luta pelo comando do maior patrimônio eleitoral da extrema-direita brasileira.

A sucessão começou antes da eleição

Durante anos, o bolsonarismo funcionou como uma estrutura rigidamente vertical. Jair Bolsonaro decidia. Os filhos executavam. O partido acompanhava.

Esse modelo começou a perder consistência à medida que o ex-presidente foi acumulando derrotas eleitorais, condenações judiciais e restrições que reduziram sua capacidade de arbitragem política.

O vídeo de Michelle tornou pública essa transformação.

Hoje já não existe apenas um projeto político dentro do bolsonarismo. Existem diferentes grupos disputando o espólio eleitoral construído ao longo da última década.

O vídeo mudou a natureza da disputa

Michelle não fez uma reclamação reservada.

Publicou-o nas redes sociais.

Acusou Flávio Bolsonaro de humilhá-la, desrespeitá-la e traí-la politicamente........

© Brasil 247