O dia em que Michelle deixou de ser coadjuvante
A ex-primeira-dama rompeu a aparência de unidade do bolsonarismo, expôs a disputa pela sucessão de Jair Bolsonaro e revelou que a principal batalha da extrema-direita já não acontece contra Lula, mas dentro da própria família Bolsonaro.
O vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro, acusando publicamente o senador Flávio Bolsonaro de tê-la humilhado, desrespeitado e "apunhalado pelas costas", rapidamente deixou de ser um conflito familiar. Transformou-se numa crise política de grandes proporções.
Em poucas horas, o episódio dominou jornais, emissoras de televisão, portais de notícias e redes sociais. O que parecia uma divergência entre madrasta e enteado revelou algo muito maior: a disputa pela herança política de Jair Bolsonaro deixou os bastidores e passou a ser disputada diante do país.
Mais do que um desentendimento familiar, o vídeo expôs uma luta pelo comando do maior patrimônio eleitoral da extrema-direita brasileira.
A sucessão começou antes da eleição
Durante anos, o bolsonarismo funcionou como uma estrutura rigidamente vertical. Jair Bolsonaro decidia. Os filhos executavam. O partido acompanhava.
Esse modelo começou a perder consistência à medida que o ex-presidente foi acumulando derrotas eleitorais, condenações judiciais e restrições que reduziram sua capacidade de arbitragem política.
O vídeo de Michelle tornou pública essa transformação.
Hoje já não existe apenas um projeto político dentro do bolsonarismo. Existem diferentes grupos disputando o espólio eleitoral construído ao longo da última década.
O vídeo mudou a natureza da disputa
Michelle não fez uma reclamação reservada.
Publicou-o nas redes sociais.
Acusou Flávio Bolsonaro de humilhá-la, desrespeitá-la e traí-la politicamente........
