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Frei Betto acende o sinal vermelho para a esquerda

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11.05.2026

Frei Betto fez, em entrevista ao Brasil 247, um dos alertas mais duros à esquerda brasileira neste momento de campanha eleitoral. 

Segundo o escritor, teólogo e frade dominicano, as forças progressistas se afastaram das periferias, abandonaram a educação popular e deixaram de investir na formação política que foi decisiva durante a resistência à ditadura militar e na construção das condições que levaram Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. 

“Nós fomos abandonando as bases. Não há reprodução, não há formação política, não há equipes de educação popular. Paulo Freire hoje, no máximo, fica nas estantes e não na prática”, afirmou Frei Betto. 

Na mesma entrevista, ele disse que partidos e sindicatos perderam capacidade de mobilização social após o enfraquecimento das estruturas populares. Também apontou um processo de elitização de setores da esquerda ao ocuparem cargos institucionais e espaços de governo. 

Foi nesse contexto que usou uma expressão dura: “esquerda de salto alto”. 

Para Frei Betto, é a esquerda que chega ao governo e começa a se afastar do povo; que não quer mais ir à periferia, subir favela ou estar ao lado dos movimentos populares. 

A crítica tem peso porque não vem de fora da esquerda. Vem de alguém que dedicou a vida à educação popular, à Teologia da Libertação, à resistência democrática e à formação das bases sociais que ajudaram a tornar Lula possível. 

O diagnóstico é ainda mais grave porque aponta uma consequência concreta: o vazio deixado pela esquerda nas periferias foi ocupado por outras forças. 

“Hoje essas áreas estão dominadas por fundamentalistas, milícias e narcotráfico. Ninguém mais da esquerda faz trabalho político nessas regiões”, afirmou. 

O alerta, portanto, não é apenas moral. É político. E, em 2026, é também eleitoral. 

A advertência que já estava em A mosca azul 

A entrevista ganha mais força quando lida à luz de A mosca azul, livro em que Frei Betto refletiu sobre sua experiência no primeiro governo Lula. 

Entre 2003 e 2004, ele foi assessor especial da Presidência da República e coordenador da Mobilização Social do programa Fome Zero. 

O livro não era apenas relato de bastidores. Era uma reflexão crítica sobre o poder, suas seduções e seus riscos. Frei Betto escrevia como alguém que havia visto, por dentro, a chegada da esquerda ao Palácio do Planalto. 

Vinte anos depois, sua entrevista retoma a mesma advertência em outro momento histórico. 

Em A mosca azul, Frei Betto alertava para o risco de a esquerda se encantar com o poder. Agora, aponta uma consequência concreta desse encantamento: o afastamento das bases populares. 

A “mosca azul” do poder não produz apenas vaidade pessoal. Produz deslocamento político. Faz lideranças confundirem governo com povo organizado. Faz partidos confundirem cargos com presença social. Faz militantes confundirem comunicação institucional com educação........

© Brasil 247