Congresso reabre com Lava Jato II e tentativa de transformar Lula em pato manco
O semestre começa com guerra política aberta. O STF toca no coração do poder orçamentário e a direita reencena o método de 2018. O país entra na reta final eleitoral com Lula sofrendo bombardeio permanente para impedir sua reeleição ou, se eleito, transformá-lo em presidente fragilizado, com poder reduzido, limitado politicamente: presidente pato manco
Não se trata de uma reabertura legislativa rotineira. O Congresso volta a funcionar nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, num ambiente de alta combustão, com quatro frentes simultâneas de instabilidade. O escândalo BRB/Master e seu cinturão de influências no DF; a reativação do método lavajatista para recolocar Lula sob suspeita difusa; o avanço do ministro Flávio Dino sobre a caixa-preta das emendas; e a CPMI do INSS, que a direita tenta empurrar para depois. Somadas, essas frentes produzem um objetivo político comum. Não necessariamente derrotar Lula, mas reduzir sua capacidade de governar, caso vença, transformando-o num presidente eleito sob cerco.
O Brasil entra na reta final do calendário eleitoral com um Congresso que já não opera como arena de deliberação pública, mas como centro nervoso de uma disputa de poder que se dá por fora do rito legislativo. A pauta formal — projetos, comissões, votações — será atravessada por uma pauta informal, mais determinante: a luta por controle de orçamento, por proteção contra investigações e por hegemonia narrativa. É nesse terreno que a reabertura do Parlamento precisa ser lida.
Há uma tentativa evidente de fabricar normalidade: discursos sobre responsabilidade fiscal, comedimento institucional e pacificação. Mas o que se move por baixo é o oposto. O semestre tende a ser marcado por ações coordenadas e reações em cadeia. Vazamentos, CPIs, convocações, noticiário em modo acusatório e uma guerra de versões em que cada lado tenta impor o seu enquadramento antes que os fatos se consolidem.
O ponto central é que as crises não competem entre si; elas se alimentam. Um escândalo financeiro pode virar munição para atacar o STF; um avanço do STF sobre as emendas pode gerar retaliação legislativa; uma CPMI pode funcionar como cortina de fumaça para travar investigação sensível; e uma ofensiva midiático-judicial pode servir para tornar o governo refém de uma defesa permanente.
O caso envolvendo o Banco Master e o ecossistema de relações em torno do BRB tem um potencial disruptivo raro porque invade um território que costuma permanecer protegido: o condomínio político-institucional do Distrito Federal. Ali, interesses empresariais, arranjos de governo local, operadores e circuitos jurídicos frequentemente convivem em paz armada, com pactos de contenção tácitos.
Quando o prejuízo alcança patamares bilionários e os nomes circulam com naturalidade entre gabinetes, bancos e tribunais, a crise deixa de ser administrativa. Ela vira política. E, sobretudo, vira um instrumento: serve para pressionar adversários, para negociar silêncio e para abrir ou fechar portas no Judiciário e no Legislativo.
O risco, para o sistema, não é apenas a apuração do rombo. É a possibilidade de que a narrativa do caso isolado não se sustente. Se o tema escalar, ele se conecta........
