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A extrema direita avança na América Latina e o Brasil entra na zona de risco

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03.02.2026

Da vitória confirmada da extrema direita na Costa Rica ao risco brasileiro. Mesmo com Lula favorito, outubro pode reabilitar o bolsonarismo por novas vias

A vitória da extrema direita na Costa Rica, decidida em primeiro turno, destrói o mito de que democracias “exemplares” estariam blindadas contra o autoritarismo. O sinal é continental e chega ao Brasil em ano eleitoral decisivo. Jair Bolsonaro está preso. O projeto político que tentou destruir o Estado Democrático de Direito segue ativo, organizado e à espera de uma nova porta de entrada.

No domingo, 1º de fevereiro de 2026, a Costa Rica entrou oficialmente no mapa do avanço da extrema direita latino-americana. As eleições presidenciais foram decididas ainda no primeiro turno, com a vitória de Laura Fernández, candidata do Partido Soberano do Povo (PPSO), que obteve cerca de 48,3% dos votos válidos. O segundo colocado, Álvaro Ramos, do tradicional Partido de Libertação Nacional (PLN), ficou em torno de 33,4%, sem possibilidade de levar a disputa ao segundo turno.

O dado político central não está apenas no resultado, mas no que ele simboliza. Durante décadas, a Costa Rica foi apresentada como exceção regional: sem Forças Armadas, com estabilidade institucional, eleições confiáveis e alternância democrática. Se até esse modelo passa a eleger uma liderança de extrema direita, o recado é inequívoco: nenhuma democracia latino-americana está imune.

A extrema direita venceu sem ruptura explícita, sem tanques e sem segundo turno. Venceu pelo voto, pelo medo e pela promessa de ordem. É assim que o autoritarismo do século XXI avança.

A vitória na Costa Rica não é um acidente eleitoral. Ela confirma que a América Latina se transformou no laboratório privilegiado da nova extrema direita global — um espaço onde o autoritarismo já não precisa de golpes clássicos para se impor. Basta corroer a democracia por dentro.

Em El Salvador,........

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