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Dois brasileiros e uma taxa de juros durante 30 anos

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02.02.2026

Desde o Plano Real, o Brasil convive com uma peculiaridade raramente discutida fora dos círculos especializados em Finanças Pessoais: uma taxa básica de juros persistentemente elevada ao longo de três décadas. A média mensal da Selic, segundo a SGS 4390 do Banco Central do Brasil (taxa de juros Selic acumulada no mês - % a.m.), desde 1995, gira em torno de 1,17% ao mês, equivalente a cerca de 15% ao ano. Houve picos ocasionais, mas se configurou um regime financeiro.

Essa regularidade estatística, na média da série tal como no fim dela, não é neutra. Ela revela uma escolha institucional com efeitos profundos sobre crescimento, distribuição de renda e formação da riqueza no país. 

Para entender o significado disso na prática, vale recorrer a um experimento mental simples para enxergar o escondido pelos números agregados: como a Selic elevada produziu estagnação no emprego e no fluxo de renda do trabalho e expansão do estoque de riqueza financeira pessoal de castas de natureza ocupacional.

Imagine dois brasileiros baby boomers, no mesmo país, após a “crise de meia-idade”, em meados dos anos 1990. Essa crise, ocorre, geralmente, após os 40-45 anos, quando o homem se pergunta: — “Sou feliz na minha vida? Realizei meus sonhos da juventude?”

Ela é caracterizada como um “novo começo” ou período a partir do qual se emerge com maior autoconhecimento, sabedoria e foco em desejos pessoais. É uma transição focada em ressignificar a vida, resgatar sonhos reprimidos e priorizar o bem-estar físico e mental, transformando a crise em oportunidades de renovação.

Mas aqueles com formação universitária de qualidade e carreira profissional bem-sucedida, tendo já comprado a moradia e criado filho(s), pensam: — “Manterei o padrão de vida alcançado hoje após minha aposentadoria?”

Porém, muitos sem educação financeira, seja familiar, seja escolar, desdenham “o dinheiro” e priorizam só o bem-estar imediato sem maiores sacrifícios em termos de poupança. Ilustremos o caso com a narrativa sobre dois trabalhadores, um manual, outro intelectual. Vivem no mesmo país, enfrentam as mesmas crises,........

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