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Lula precisa transformar 25% de taxação em 4% de votos no primeiro turno

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19.07.2026

A conta é simples de enunciar e difícil de fazer. A pesquisa Genial/Quaest de 10 a 13 de julho (2.004 entrevistados, margem de dois pontos, registro BR-07161/26 no TSE) diz que Lula tem 49,4% dos votos válidos no cálculo mais generoso e 43,5% no mais avarento. Como se ganha no primeiro turno com metade mais um dos válidos, e não dos totais, o presidente precisa subir dos 40% declarados para algo perto de 46%. Faltam, conforme o humor de quem faz a conta, de um a quatro pontos. A oposição entendeu isso antes de muito aliado do governo: Flávio Bolsonaro já não disputa a eleição, disputa que exista um segundo turno. Joga na retranca, com o time rachado por dentro e a Polícia Federal rondando o vestiário, torcendo para segurar o empate até o apito. Quem precisa fazer o gol é o governo.

Foi nesse jogo que Donald Trump entrou de sola. E repare que o tarifaço não foi um gesto bruto; foi um gesto calculado. Trump taxou em 25% os produtos brasileiros, mas tirou da lista mais de oitocentos itens, o café, o suco de laranja, o ferro, os minerais de que a indústria dele não abre mão. Tirou, em suma, tudo o que encareceria a vida do eleitor americano e cobraria a conta dele mesmo. Sobrou o resto, e o resto tem nome, cidade e folha de pagamento: setores exportadores localizáveis um a um, cadeia por cadeia, município por município. A crise que Trump criou não se espalha feito névoa; ela cai em lugares certos. E crise que cai em lugar certo é crise que a política consegue pegar com a mão.

Por isso a pior resposta seria a retaliação que gente do próprio governo chegou a acenar. Se o Brasil taxar de volta, pega uma bomba que hoje........

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