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A bobagem das novas zonas de influência

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07.01.2026

Circula nas redes sociais um mapa-múndi com inscrições à mão, aparentemente satírico, que divide o planeta em três áreas de influência: "me" (Donald Trump) abarcando as Américas; "Putin" controlando Rússia e Europa; e "Xi" (Jinping) dominando África e Ásia. O que deveria permanecer como sátira ganhou endosso de diversos analistas internacionais que passaram a defender seriamente essa configuração como o futuro da ordem mundial. Trata-se de uma enorme bobagem analítica que revela profundo desconhecimento sobre a história dos sistemas internacionais e as transformações estruturais do século XXI.

A noção de "zonas de influência" tem uma história específica que precisa ser compreendida antes de aplicá-la levianamente ao presente. Sua origem remonta ao Tratado da Paz de Augsburgo de 1555, que estabeleceu o princípio cuius regio, eius religio – "de quem é a região, dele é a religião". Esse arranjo não tinha ambições imperiais globais; era uma solução pragmática de sobrevivência para uma Europa dilacerada por guerras religiosas. O príncipe determinava a confissão de seu território, e quem discordasse que migrasse. Simples, territorial, limitado.

Essa lógica evoluiu nas disputas entre Bourbons e Habsburgos, mas permaneceu essencialmente europeia e dinástica. A transformação radical viria apenas no século XX, quando a industrialização redefiniu completamente o sentido de "influência". Não se tratava mais de religião ou dinastia, mas de controle sobre produção, fluxos financeiros, tecnologia, matérias-primas e população. O ápice dessa configuração foi a Guerra Fria, simbolizada perfeitamente no memorando da partilha entre Stalin e Churchill, onde literalmente dividiram o mundo em percentuais de influência. O princípio desse sistema era........

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