O chá virou negócio — e a China não deixa esfriar
"Não me interessa a imortalidade, apenas o sabor do chá". A frase resume o espírito do "Poema das Sete Xícaras de Chá", que o mestre Lu Tong escreveu nos tempos da dinastia Tang (618-907 d.C.), um dos períodos mais brilhantes da história chinesa. Recluso durante anos nas montanhas de Henan, o poeta descobriu que o imenso prazer que sentia diante de uma xícara, quase fervendo como se preparava então, lhe dava uma sensação de transcendência que nenhuma outra experiência terrena conseguia proporcionar.
Mais de mil anos depois, enquanto os versos de Lu continuam definindo a alma da cultura chinesa, o país decidiu apostar forte na reindustrialização dos extratos do chá — polifenóis, catequinas, óleos essenciais e compostos bioativos —, como ingredientes centrais de um circuito produtivo que opera longe daquelas xícaras fumegantes do passado.
Produtos químicos de uso cotidiano, soros antioxidantes, detergentes biodegradáveis, suplementos metabólicos, bebidas, cosméticos e alimentos saudáveis são apenas alguns dos setores que se beneficiarão com essa expansão do uso das matérias-primas e componentes do chá, segundo as previsões do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação e outros 4 departamentos governamentais. Para os especialistas chineses, a imagem do chá já não remete a camponeses curvados em uma plantação interminável, mas a um biotecnologista de jaleco em um laboratório silencioso.
Como repete o governo em seus documentos oficiais, a meta é fortalecer a inovação........
