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Além da agricultura: a China rural descobre “uma nova colheita”

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19.07.2026

A China gosta de impressionar com as estatísticas de seu campo para explicar como um país que possui apenas 9% das terras cultiváveis do planeta consegue alimentar quase um quinto da humanidade. Ao lado do mais recente recorde de 714,9 milhões de toneladas de cereais — um volume equivalente ao produzido por Índia, Estados Unidos e Brasil juntos — soma-se agora uma reconversão comercial que envolve milhares de propriedades rurais, onde o negócio tradicional da produção agrícola convive com a cobrança de ingressos, algo impensável há poucos anos.

Sob o nome de agricultura do lazer, o modelo oferece experiências rurais voltadas para pessoas que cresceram cercadas por prédios e descobrem que os vegetais não nascem nas prateleiras dos supermercados. Não se trata de um público marginal. Hoje, 67,9% dos chineses vivem em áreas urbanas, uma transformação demográfica que ampliou a demanda por esse tipo de escapada para fazendas que oferecem hospedagem, gastronomia e colheitas abertas ao público.

Foi justamente com esses serviços que surgiu um novo negócio. Em muitos casos, a renda deixou de depender apenas da comercialização de arroz, frutas ou chá e passou a incluir milhares de turistas dispostos a pagar para passar algumas horas no campo. Em 2024, o setor movimentou mais de US$ 132 bilhões e, segundo dados oficiais, cerca de 587 mil propriedades rurais já participam dessas atividades em todo o país.

Embora possa parecer estranho para um país que parece ter inventado tudo, a ideia não nasceu em Pequim. Já existiam experiências semelhantes no Japão, na Coreia do Sul e em........

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