A reabilitação de que a China precisa
Em 15 de janeiro de 2026, na província de Fujian, aconteceu algo que, visto de fora, parecia pequeno. E, no entanto, dizia mais do que sugeria. Na Escola Changlong, no condado de Lianjiang, um prédio escolar foi rebatizado com um firme traço de caligrafia. “阮经在学楼” (Edifício de Ensino Ruan Jingzai) ficou escrito na fachada, junto à assinatura do Nobel de Literatura Mo Yan.
Não foi um ato protocolar qualquer. Na China, a caligrafia tem peso — e isso se percebe. O autor de Sorgo Vermelho escolheu deixar seu traço em uma escola rural, em uma região montanhosa e de forte tradição migratória. “Espero que esta iniciativa possa iluminar o caminho da leitura das crianças das zonas rurais”, afirmou.
O gesto ocorreu quinze dias antes da entrada em vigor do Regulamento para a Promoção da Leitura em Nível Nacional. Um detalhe. Enquanto o mundo — com a China na dianteira — se obsessiva com a Inteligência Artificial e com chips que envelhecem mais rápido do que as ideias que prometem acelerar, o país asiático abre, ao mesmo tempo, uma discussão bem mais incômoda: como voltar a ler.
O novo regulamento, em vigor desde 1º de fevereiro, reúne 45 artigos que estabelecem obrigações para governos locais, escolas, empresas e até aeroportos. Mas por trás das 3.248 bibliotecas públicas, dos 44 mil centros culturais e dos mais de 40 mil novos espaços de leitura criados nos últimos anos, há outra coisa. Uma preocupação que raramente é dita em voz alta, mas que os números já não conseguem esconder: a China está começando a perder a capacidade de........
