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O imperialismo em declínio e a tirania de um autocrata violador de soberanias

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10.01.2026

A ofensiva recente dos Estados Unidos contra a Venezuela expõe, sem disfarces, a permanência de uma lógica imperial que insiste em se impor sobre a soberania dos povos latino-americanos. Sob o comando de Donald Trump e amparada por velhas doutrinas recicladas à moda trumpista, essa política externa volta a tratar a América Latina como zona de tutela, onde a força, a ameaça e a exploração de recursos se apresentam como instrumentos legítimos de poder.

O episódio venezuelano, longe de ser um fato isolado, sinaliza um precedente grave e perigoso para toda a região. Essa mesma mentalidade expansionista e autoritária, contudo, não se restringe ao Sul Global. A ameaça de anexação da Groenlândia “por bem ou por mal”, anunciada por Trump, provoca alarme na Europa e coloca em risco a aliança que garante a proteção do continente desde a Segunda Guerra Mundial, revelando que o unilateralismo norte-americano está disposto a tensionar até mesmo parceiros históricos.

Nesse sentido, Trump estende suas garras imperialistas de forma ilícita, recorrendo à repetição contumaz de argumentos ilegítimos que jamais justificaram as investidas do poderio bélico norte-americano contra países que pretende submeter a seus interesses geopolíticos estratégicos.

Desta vez a investida foi concretizada num país da América do Sul. A Venezuela teve sua soberania violada pelo governo Trump com o sequestro de seu presidente e da primeira dama do país. É necessário assinalar que não se trata de questionar ou não a legitimidade da eleição de Maduro em 2024, o ataque à Venezuela é inadmissível, grave e sumariamente temerário para os demais países da América Latina.

Segundo Marco Rubio, secretário de estado dos Estados Unidos, a lógica que orienta a política externa dos Estados Unidos no século XXI especialmente sob a gestão Trump parte de uma premissa abertamente imperial: a de que Washington não aceitará a existência de um país como a Venezuela fora de sua tutela direta. Em entrevistas às redes de televisão americanas CBS e NBC, o secretário deixou explícito que os EUA se arrogam o direito de definir quem pode ou não existir politicamente no chamado “Hemisfério Ocidental”, tratado como quintal estratégico de sua influência.

Ao associar a Venezuela a ameaças externas como Hezbollah e Irã, Rubio recorre ao velho expediente do inimigo fabricado para justificar ingerências, sanções e intervenções, reafirmando a noção de que qualquer autonomia regional é vista como intolerável. Trata-se, portanto, não de defesa da segurança, mas da reafirmação de uma doutrina de dominação que se recusa a aceitar a pluralidade política e a soberania dos países latino-americanos.

Trump em sua prepotência impulsionada por um imperialismo decadente ameaça os países, que sem o poderio bélico americano correm risco de serem vilipendiados em suas soberanias. Qualquer país “do hemisfério de Trump” que ousar não estar alinhado aos interesses de domínio estratégico dos EUA poderá sentir suas garras afiadas.

Na entrevista pós o ataque brutal à Venezuela, o governo trumpista revelou também sufocar o governo Cubano até sua extinção, propósito obstinado por Marco Rubio. Filho de cubanos, Rubio encarna uma contradição profunda e reveladora da psique política latino-americana capturada pelo poder imperial.

Antes de se alinhar integralmente ao trumpismo, Rubio foi alvo do........

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