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A ruptura necessária do círculo vicioso que sustenta a extrema direita e o centrão

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11.04.2026

O Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu filho Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, figura entre os partidos que concentram o maior montante de recursos do Fundo Eleitoral, alcançando a cifra de R$ 887 milhões. Trata-se de um fundo integralmente público, oriundo do Orçamento da União e financiado por impostos pagos pela população, como o Imposto de Renda (IR) e o ICMS. Para viabilizar esse volume de recursos, que em 2026 atingiu o total de R$ 4,9 bilhões, o Poder Legislativo frequentemente promove ajustes orçamentários que acabam por reduzir investimentos em áreas essenciais, como obras e serviços básicos nos estados.

Esse poder financeiro se desdobra também no campo da comunicação eleitoral. Ao concentrar uma das maiores fatias do fundo, o PL assegura igualmente maior tempo de propaganda em rádio e televisão, beneficiando-se de minutos diários de exposição, enquanto partidos menores ficam restritos a poucos segundos. Essa assimetria reforça desigualdades significativas na disputa eleitoral, ampliando o alcance de quem já detém maior poder político.

Ao mesmo tempo, o PL também lidera o valor oriundo do Fundo Partidário. Após o encerramento da janela partidária, a legenda passou a contar com 97 deputados, o que amplia ainda mais sua participação na divisão desse recurso. Assim como ocorre com o Fundo Eleitoral, a distribuição não é equitativa: apenas uma parcela é dividida igualmente, enquanto a maior parte depende do desempenho eleitoral prévio. Com esse volume de recursos públicos, o partido mantém, com ampla folga, suas estruturas administrativas, financia campanhas, custeia programas de formação política e assegura sua presença institucional em todo o país.

Nesse cenário, chama atenção o uso desses recursos em despesas que extrapolam o interesse público direto. Entre elas, está o pagamento da mansão de alto padrão localizada no Condomínio Solar de Brasília, residência atual de Michelle Bolsonaro, do ex-presidente em prisão domiciliar, de sua enteada e da filha do casal. Trata-se de um exemplo gritante de como recursos públicos podem sustentar estruturas privadas de alto custo, aprofundando o distanciamento entre a política institucional e a realidade da maioria da população.

Diante desse arranjo, configura-se um verdadeiro círculo vicioso no sistema político-eleitoral brasileiro. Além dos fundos partidário e eleitoral, partidos com maior representação no Congresso Nacional também controlam uma maior distribuição de emendas parlamentares. Esses recursos, destinados a municípios para obras, serviços e investimentos, acabam se tornando instrumentos de barganha política.

Quando tais verbas chegam às cidades, o parlamentar passa a ser identificado como o responsável direto pelo benefício, consolidando sua visibilidade local. Em uma lógica de “toma lá, dá cá”, prefeitos, vereadores e lideranças regionais tendem a retribuir com apoio político, estabelecendo uma relação de dependência que se intensifica no período eleitoral.

À medida que as eleições se aproximam, essa dinâmica se fortalece. Lideranças locais mobilizam eleitores, organizam campanhas e reforçam a imagem do parlamentar, ampliando suas chances de reeleição. Uma vez reeleito, o círculo vicioso se reinicia, e mais emendas serão destinadas aos mesmos redutos, consolidando currais eleitorais e perpetuando relações de dependência política.

Esse movimento cria um ambiente em que a distribuição de recursos passa a obedecer mais a critérios eleitorais do que às reais necessidades da população. O resultado é uma distorção da lógica democrática. Candidatos com mandato partem em vantagem significativa, enquanto novos nomes enfrentam barreiras estruturais quase intransponíveis.

Nesse processo, o........

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