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A máquina de reflexão

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24.02.2026

Deixei a minha mosca crescer por acidente. Como quase todas as decisões importantes da minha vida, ela surgiu da preguiça. Um fim de semana sem lâminas de barbear, um espelho complacente e pronto: ali estava aquele pequeno tufo abaixo do lábio, insinuando profundidade intelectual.

Passei a apelidá-la primeiro de Dizzy (por causa da famosa “soul patch” de Dizzy Gillespie). Depois, chamei-a de “máquina de reflexão”.

Não por vaidade. Por método científico.

Descobri que, sempre que preciso pensar, fico puxando a mosca. É automático. A mão sobe sozinha. Fico ali, segurando o pequeno tufo com a gravidade de quem gira um globo terrestre. E funciona. Tanto quanto fumar um cigarro enquanto se digita um texto. Com a vantagem de que não prejudica os pulmões.

Minha mosca tem........

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