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Guerra implode a financeirização econômica global e cria novo eixo do poder internacional

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Pânico no mundo do rentismo especulativo da riqueza fictícia: um dos maiores fundos de investimento do planeta Terra, a BlackRock, com ativos de 2 trilhões de dólares, estaria se desmoronando junto com a guerra desencadeada, segundo o autor, sem motivo por Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Apavorados com a possibilidade de perder suas poupanças, rentistas especuladores correm aos caixas dos fundos mais famosos de Wall Street para tentar salvar seu dinheiro. No entanto, segundo a análise apresentada, os caixas desses fundos teriam sido fechados para balanço.

Não estariam deixando sair recursos para evitar um colapso.

Na prática, o que existiria seriam papéis especulativos que vinham rendendo, de forma fictícia, juros elevados — situação que o autor compara ao caso brasileiro, com a taxa Selic entre as mais altas do mundo, perdendo apenas para a Turquia.

Investidores tentariam, desesperadamente, sacar recursos, mas não haveria o que retirar, porque o dinheiro real correspondente à papelada especulativa seria, na visão apresentada, uma ilusão.

As próximas semanas seriam decisivas.

O império da financeirização global, representado no maior fundo financeiro do mundo, a BlackRock, estaria decretando a impossibilidade de atender à demanda de rentistas que tentam retirar seus recursos.

Segundo essa leitura, a moeda real não estaria no caixa da BlackRock, mas nos poços de petróleo do Oriente Médio, atualmente em chamas em decorrência dos bombardeios de mísseis supersônicos iranianos.

Esses ataques atingiriam bases militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico e refinarias de petróleo, muitas delas com capital americano associado às monarquias árabes alinhadas a Washington.

Essa associação imperial entraria em sufoco com a suspensão da circulação da mercadoria-moeda mais valorizada: o petróleo.

O fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã, afetaria diretamente o abastecimento global. Pela passagem marítima circula cerca de 25% do petróleo e do gás que seguem rumo ao Ocidente.

Colapso do petrodólar

Sem possibilidade de abastecer seus clientes, o complexo econômico-financeiro formado por refinarias petrolíferas, apoiadas em bases militares americanas e agora bloqueadas pelo fogo dos mísseis iranianos, enfrentaria um colapso no sistema do petrodólar.

Segundo a análise apresentada, é o petróleo que sustenta o dólar — e não o contrário.

Nesse raciocínio, o petróleo seria a moeda real, enquanto o dólar, sem o lastro energético, se tornaria uma ficção monetária.

Sem essa âncora, a moeda americana poderia sofrer forte desvalorização, provocando corridas financeiras e instabilidade nos mercados.

A moeda-papel especulativa, sem o petróleo do Golfo Pérsico, deixaria de ter valor real.

Sem petróleo árabe, bloqueado no Estreito de Ormuz pelo Irã, o Ocidente ficaria sem sua principal base energética, o que colocaria pressão sobre o dólar emitido pelos Estados Unidos.

Circulação interrompida

A riqueza real estaria impossibilitada de circular em razão da guerra desencadeada por Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Segundo o texto, o objetivo estratégico de Washington seria enfraquecer Teerã para conter também o avanço da China.

Caso o Irã mantenha sua resistência aos ataques, argumenta o autor, os Estados Unidos poderiam enfrentar uma crise financeira com traços hiperinflacionários.

Nesse cenário, a possível bancarrota da BlackRock seria apresentada como símbolo da fragilidade da estrutura financeira baseada em ativos especulativos.

O sistema financeiro global, sustentado por ativos sem lastro, ficaria exposto à medida que o sistema do petrodólar se enfraquece.

Quanto mais tempo o Estreito de Ormuz permanecer interrompido, maior seria a pressão sobre o sistema financeiro internacional.

Hiperinflação em cena

Sem o fluxo do que o autor chama de “oxigênio especulativo”, fundos financeiros poderiam entrar em colapso, afetando também o complexo industrial-militar dos Estados Unidos.

Esse setor dependeria diretamente da força do dólar, que, nesse cenário, perderia o lastro indireto garantido pelo petróleo.

Sem o suporte do mercado especulativo, ficaria comprometida a sustentação da indústria de guerra, responsável pela produção de equipamentos militares, espaciais e nucleares.

O economista Lauro Campos descreveu esse fenômeno em A crise da ideologia keynesiana (Editora Campus, 1980; Editora Boitempo, 2012), ao analisar a produção de bens voltados à destruição.

Segundo essa interpretação, o colapso desse sistema poderia gerar um efeito colateral grave: a hiperinflação associada à dívida pública dos Estados Unidos, atualmente estimada em cerca de 40 trilhões de dólares.

A enorme massa de moeda sem lastro poderia, então, desmoronar.

O possível colapso de fundos financeiros especulativos, como a BlackRock, seria visto como sinal de um cenário de caos financeiro global impulsionado pela guerra.

A interrupção do fluxo de petróleo e gás impediria a circulação da riqueza real necessária para movimentar a economia mundial.

Ao negar resgatar títulos de rentistas por falta de recursos líquidos, a BlackRock estaria admitindo a ausência de dinheiro suficiente para atender às retiradas.

O pânico financeiro poderia levar a corridas bancárias, enquanto, segundo o autor, a mídia corporativa alinhada aos Estados Unidos tentaria minimizar o problema.

Diante desse cenário, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, buscaria intensificar a pressão militar contra o Irã, exigindo rendição incondicional.

Segundo o texto, Washington estaria disposto a ampliar os bombardeios para tentar encerrar rapidamente o conflito.

Caso a guerra se prolongue e os Estados Unidos não consigam derrotar o Irã, o país persa poderia contar com apoio estratégico da Rússia e da China.

O fator decisivo seria a capacidade iraniana de resistir aos ataques e manter pressão militar sobre bases americanas e refinarias no Golfo Pérsico, além de sustentar o bloqueio do Estreito de Ormuz.

Nesse contexto, o poder anglo-saxão — representado pelos Estados Unidos e por aliados europeus — poderia perder influência à medida que a financeirização global se enfraquece.

A destruição de riquezas financeiras consideradas fictícias abriria fissuras no poder americano.

Ao mesmo tempo, poderia favorecer a ascensão de um novo eixo geopolítico formado por Rússia, China e Irã.

A reorganização da economia mundial indicaria, segundo essa análise, o surgimento de uma nova divisão internacional do trabalho e de um novo centro de poder econômico e financeiro global.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.


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