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Diplomacia representativa

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30.01.2026

A decisão inédita de reservar vagas para indígenas e quilombolas no concurso do Itamaraty é um ajuste estrutural tardio. Pela primeira vez, o edital do Instituto Rio Branco incorpora explicitamente esses grupos no desenho das ações afirmativas, sob a nova lei de cotas sancionada em 2025. Das 60 vagas oferecidas, 35% serão destinadas a políticas de inclusão racial e social. O salário inicial é de R$ 22.558. É um movimento que tensiona uma tradição longa — e profundamente elitizada — da diplomacia brasileira.

Durante décadas, o Itamaraty construiu sua identidade como uma ilha de excelência meritocrática. O concurso sempre foi difícil, o domínio de línguas era inegociável e a formação intelectual, ampla. Tudo isso permanece. O que muda é o reconhecimento de que o acesso a essas credenciais nunca foi neutro. A política de cotas não rebaixa a régua — desloca o ponto de partida, admitindo que igualdade formal........

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