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Foi o Estado que construiu São Paulo: a história esquecida da locomotiva brasileira

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26.07.2026

Como o Estado empreendedor transformou São Paulo na maior potência econômica do país e por que o abandono desse modelo abriu caminho para a desindustrialização, a precarização do trabalho e a renúncia a um projeto de desenvolvimento?

Em ano eleitoral, as frações das classes dominantes de São Paulo insistem no abandono do desenvolvimento econômico como meta. Apostam no aprofundamento das perspectivas de encolhimento econômico, cultural e político do estado que, em outros tempos, foi responsável pelo crescimento do Brasil. A candidatura de Tarcísio de Freitas é o expoente deste projeto de decadência e empobrecimento político e cultural.

Durante boa parte do século XX, São Paulo consolidou-se como a locomotiva econômica do Brasil. Essa liderança, contudo, não nasceu espontaneamente da livre iniciativa nem foi resultado exclusivo do dinamismo empresarial. Foi construída por um Estado que planejava, financiava, investia e coordenava o desenvolvimento.

A história econômica paulista demonstra que sua riqueza foi fruto de uma combinação entre empreendedorismo privado e forte capacidade estatal de indução do crescimento. O governo criou bancos públicos, empresas de energia, ferrovias, rodovias, universidades, institutos de pesquisa e mecanismos permanentes de financiamento à produção. O Banespa, originalmente fundado em 1909 como Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola do Estado de São Paulo, tornou-se muito mais do que uma instituição financeira: foi um dos principais instrumentos de crédito para a agricultura, a industrialização, as obras de infraestrutura e o financiamento dos municípios paulistas.

Ao lado do Banespa, empresas como a CESP, a FEPASA, a DERSA e o Metrô, além de instituições como o Instituto Butantan, o IPT, a USP e, posteriormente, a Unicamp, compunham uma arquitetura estatal voltada à expansão da capacidade produtiva. Não se tratava de um Estado contrário ao capitalismo. Ao contrário, foi esse Estado que criou as bases para o capitalismo paulista se transformar no mais dinâmico........

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