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Governar com critério, construir com visão

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Depois de anos marcados por facilitismo político, aumento da carga fiscal e sinais de desgaste nos serviços públicos, impõe-se um rumo diferente: contas certas sem sufocar famílias e empresas, políticas realistas e uma visão estratégica orientada para o futuro.

Esta exigência deve refletir-se também no plano local. Em Vila Real, onde a autarquia continua sob liderança do Partido Socialista, a perceção que muitos cidadãos têm é clara: a governação está mais centrada na gestão de equilíbrios políticos do que numa estratégia de desenvolvimento consistente. Multiplicam-se iniciativas, protocolos e associações cuja utilidade nem sempre é evidente, mas que acabam por servir para consolidar apoios em diferentes freguesias. Criam-se ligações, distribuem-se pequenos benefícios e alimenta-se uma rede de influência que, sendo eficaz do ponto de vista eleitoral, levanta dúvidas quanto ao seu impacto real na qualidade de vida da população.

Importa, no entanto, reconhecer o papel essencial das associações culturais e desportivas. São pilares das comunidades, promovem inclusão, dinamizam o território e criam oportunidades, sobretudo para os mais jovens. Em muitas freguesias, são o coração da vida local e merecem ser valorizadas.

Mas valorizar não pode significar apoiar sem critério. O que se tem verificado é uma tendência para financiar praticamente todas as estruturas, incluindo associações recentemente criadas, muitas vezes com base em planos de atividades pouco consistentes ou sem impacto relevante. Os critérios existem, mas as explicações apresentadas são, frequentemente, pouco claras e até dúbias, o que fragiliza a transparência e a confiança.

Esta lógica pode servir objetivos imediatos, mas compromete o futuro. Ao dispersar recursos por múltiplas entidades sem exigência, enfraquece-se o associativismo que realmente faz a diferença, aquele que tem continuidade, impacto e capacidade de mobilização.

Uma governação de centro-direita propõe uma alternativa clara: rigor na utilização dos recursos públicos, transparência nas decisões e valorização do mérito. Apoiar, sim, mas com critérios definidos, avaliação de resultados e prioridade a projetos que acrescentem valor à comunidade.

Não se trata de limitar, mas de qualificar. De garantir que cada apoio público cumpre um propósito e contribui para o desenvolvimento do concelho. De substituir a lógica da quantidade pela lógica da qualidade.

Vila Real precisa de mais do que gestão corrente. Precisa de visão, de liderança e de coragem para fazer escolhas. Entre apoiar tudo ou apoiar bem, está a diferença entre administrar o presente e construir o futuro.


© A Voz de Trás-os-Montes